Kosovo é admitido como Estado-membro no Banco Mundial e no FMI

 

João H. R. Roriz

 Kosovo se tornou o 186º membro das instituições de Bretton Woods – o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. Com certeza este é um marco significativo para aqueles que advogam o reconhecimento da independência autoproclamada do país. A capacidade de participar do cenário internacional tem como um dos seus maiores demonstrativos a condição de membro ativo de Organismos Internacionais – condição reservada apenas a Estados.

 Todavia, ainda se espera uma decisão sobre a legalidade da independência de Kosovo pela Corte Internacional de Justiça. O caso que está sendo analisado pela Corte foi fruto de manobra diplomática da Sérvia na Assembléia Geral da ONU que, mesmo com os mais altos protestos de países que apóiam a independência de Kosovo, (principalmente países europeus e os EUA), colocou a questão para Corte. Diga-se de passagem que se tais países não tivessem receios sobre a legalidade da proclamação de independência, não deveriam ter se colocado contra o envio da questão para a Corte…

 Bom, agora resta esperar a Corte se pronunciar sobre o caso. Caso se conclua que o processo de independência não foi legal, vai ficar feio para o FMI e o Banco Mundial…

2 Responses to “Kosovo é admitido como Estado-membro no Banco Mundial e no FMI”


  1. 1 Fernanda de Lima 01/07/2009 às 16:41

    Bem, toda ação que parte dos EUA, como esse apoio à independência do Kosovo, me deixa com um pé atrás. Pois me lembro de assistir no jornal imagens da comemoração da população do Kosovo por sua independência, só que detalhe, agitavam também bandeiras dos EUA.
    Aprovo a idéia de independência do Kosovo, e as suas dificuldades econômicas e sociais devem ser resolvidos por eles mesmos, exercendo sua Soberania, e o incentivo do Banco Mundial e do FMI o ajudaria no desenvolvimento da economia. Mas acredito que este processo de independência deveria ser autônomo, de acordo com o princípio de não-intervenção de Kant, e com os EUA por trás desta independência, aí nesse ponto não concordo.
    Com o apoio dos EUA e de outras grandes nações na legalização da independência do Kosovo, sua aprovação na corte será fácil, mas esse apoio dos EUA pode acabar custando caro, pois com os problemas de violência e economia fraca, eles vão se achar no “dever” de intervir nestas questões do país, para “ajudar o Kosovo”, e isso não será muito difícil porque os EUA já tem um grande exército naquele país.

  2. 2 João H. R. Roriz 07/07/2009 às 8:56

    Obrigado pela sua contribuição! Concordo contigo, Fernanda.

    Os EUA são extremamente bem-vistos em Kosovo pelo papel que desempenharam durante a guerra em 1999. Aos olhos da maioria albanesa, se não fossem os estadunidenses, liderando a OTAN, Milosevic teria feito em Kosovo o mesmo genocídio que ele fez na Bósnia em 1994. Os estadunidenses são assim encarados como os responsáveis pela expulsão dos sérvios que queriam a guerra contra os albaneses. Claro que a situação não é tão simples assim.

    De qualquer forma, os kosovares-albaneses realmente idolatram Washington, tanto é que uma das avenidas principais da capital Pristhina, teve o seu nome mudado de “General Tito” para “Bill Clinton”. Isto explica as várias bandeiras – e também cartazes espalhados pela cidade com os dizeres “thank you” – no dia da independência, 17 de fevereiro do ano passado.

    Como você, aguardo ansioso a decisão da CIJ sobre a legalidade da independência…..


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